Pedro Goifman

Edição: 38

Pedro Goifman

Créditos

Direção criativa: @casadorobim
Fotografia: @diegobaptista
Styling: @ronaldorobim
Beleza: @makegivianna
Produção de moda e assistente de styling: @obrunocoutinho_
Design digital: @theocporto
Filme: @click.av
Locação: @artlapahotel
Assessoria: @nobreassessoria
Agradecimento: @niggnaciov e @brunaalvessantooss
Pedro veste: @armadillo, @almirfranca, @annes.by.t

Entrevista...

1 – Você começou a atuar aos 5 anos de idade, em que momento você percebeu que aquilo era sério?

Atuação é coisa séria? Eu não sei até hoje se é… às vezes sim, às vezes não. Se é sério, é também grotesco, engraçado, divertido, leve, pesado. A única coisa que acho que a atuação sempre deve ser é graciosa. É preciso encontrar a poesia, mesmo nos personagens mais assombrosos.

O momento em que entendi que queria ser ator e que aquilo era uma profissão foi gravando o filme “O Olho e o Zarolho”. Tinha oito anos e interpretava o personagem Matheus, meu primeiro protagonista.
A direção da Juliana Vicente e do René Guerra era focada no amor.
Ali construí laços e entendi que atuar era possível.

2 – Você tem algum papel que considera o mais desafiador até agora? Por que?

É difícil falar de “mais” ou “menos” em atuação, porque é impossível pensar a construção de um personagem a partir de um ponto de vista quantitativo. Cada projeto tem seus desafios. Mas é claro que alguns representaram saltos maiores na carreira: “O Olho e o Zarolho” foi onde fiz meu primeiro protagonista, “Califórnia” foi meu primeiro longa, “Guigo Offline” foi meu primeiro projeto de meses, “O Incrível Circo dos Cinco” foi a primeira série, “Histórias de Fantasmas Verdadeiros” foi onde falamos de temas pesados para crianças, “B.A.: O Futuro Está Morto” foi meu primeiro protagonista no streaming e o primeiro trabalho de distopia e super poderes…
Porém, o Guto foi um desafio gigante e muito específico. O personagem é profundo, borbulhante, intenso e calmo. E foi preciso construir e administrar tudo isso e, simultaneamente, explorar uma nova linguagem.
Nunca tinha feito uma novela e nem passado tanto tempo com um mesmo personagem. É extremamente intenso. A relação com o público também é muito específica. Por ser uma obra aberta, o espectador se torna coautor, interferindo ativamente na narrativa. É uma linguagem muito difícil de fazer, mas muito prazerosa e muito brasileira.

3 – O que mais te atrai em um personagem na hora de aceitar um novo projeto?

O que eu mais gosto é de ler um personagem e sentir que eu não faço a menor ideia de como interpreta-lo. Dá um medo, uma insegurança, mas um gás para estudar mais e descobrir um universo novo. Amo estudar

4 – Quais são suas maiores influências artísticas – sejam atores, diretores ou estilos?

Minhas maiores influências artísticas são as minhas avós, Thereza e Berta.
A família da minha mãe inteira é muito artística, muito musical, e a Thereza, mãe dela, tem isso muito vivo. Apesar do fato de que seus principais empregos tenham sido primeiro de empregada doméstica e depois como operária de fábrica, a primeira vez que trabalhou foi com cinco anos de idade, cantando em um circo.
A Berta, mãe do meu pai, lutou muito contra a ditadura. Comunista, judia e pianista. Uma grande artista, que dava aulas de piano, contação de histórias e trabalhava na biblioteca e na secretaria.
São duas pessoas muito inspiradoras e grandes artistas.

5 – Como você equilibra teatro, cinema e televisão? Existe um formato que você prefere?

Cada linguagem é um universo. Universos que se fundem e se afastam.
Trabalhar na TV é muito bom, é explorar formatos muito brasileiros, atingir públicos gigantes e contar histórias arquetípicas.
O teatro é a base, é o olho no olho, o presente. É fundamento.
E o cinema é a minha maior paixão, é onde comecei, minha casa. Tem uma magia especial: é onde me sinto mais confortável no mundo.

6 – Como é seu processo de preparação para um novo papel? Usa alguma técnica específica?

A primeira coisa é ler. Fazer perguntas para o texto e ver o que ele me responde. Está tudo lá e no corpo, basta procurar.
A partir disso eu busco referências. Filmes, livros, peças, quadros, músicas. Sempre faço uma playlist pro personagem.
Mas eu também não tenho muita regra. Cada processo é um processo e eu não me prendo à nenhuma fórmula.

7 – “Garota do momento” é um sucesso, assim como o Guto. Como se despedir de um personagem tão querido e abraçado pelo público?

Me sinto muito honrado de ter feito parte dessa novela de tanto sucesso, ainda mais interpretando um personagem querido e que provoca discussões importantes.
A despedida tem sido difícil, melancólica, triste, mas também muito alegre. A sensação de missão cumprida está vindo aos poucos, me dando gás. Estou muito contente e animado para os próximos passos da carreira.
O público dá um carinho e uma energia gigantes. É muito gostoso e o sentimento que fica é o de gratidão.

8 – Ficamos triste com o fim do relacionamento do Guto e Vinícius… Será que teremos um final feliz para os dois?

Olha, não posso revelar o fim da novela, mas já adianto que será feliz. O casal Gunicius foi muito querido para o público e os personagens terão desfechos dignos, independentemente de estarem juntos ou separados.

9 – Você acredita que a arte pode ajudar a transformar a sociedade atual?

O mundo, para os humanos, está acabando. Essa é a real.
Sou um pouco pessimista, mas existe algo em mim que deseja loucamente continuar. E é evidente que a arte está ligada à transformação.
A única possibilidade de futuro está nos sonhos. É preciso sonhar, inventar. Só assim sobreviveremos.

10 – Vivemos em um momento que a arte também fala muito sobre política , identidade e sociedade. Como você vê o papel do ator nesse cenário?

O artista é um ser político. O ator é coletivo – no teatro, no cinema, na tv, na rua…
É triste pensar que as narrativas têm ficado cada vez mais individualistas. A lógica do super-herói, que derrota tudo e todos sozinho, é a dominante. A meritocracia é uma praga, assim como discursos como “cada um tem que cuidar da sua vida”. Não! O ser humano é social. Se não levarmos isso em consideração, continuaremos no caminho para a destruição.
Como cidadãos, precisamos colocar a empatia em prática. E isso não é subjetivo. É preciso agir.
E em cena isso também é real. A atuação que eu acredito é também a postura de vida que eu acredito: a do jogo. Do olhar para o outro. O olhar de cumplicidade e parceria. Sem utopia, com ação.

11 – Planos e projetos para depois da novela, já temos novidades?

Olha, imediatamente depois da novela começo um novo projeto, mas que ainda não posso revelar.
Além disso, tenho algumas obras gravadas e que devem estrear em breve: “Tarã”, série do Disney+ dirigida por Juliana Rojas e Marco Dutra; “Não Estou Aqui”, longa de Cristiano Burlan; e “Eclipse”, longa de Djin Sganzerla. Também assumi a direção e atuei no curta-metragem “Adrenalina”, que está em fase de pós-produção.

12 – E pra fechar: Que conselho você daria pra quem quer viver da atuação, mas ainda está naquele comecinho, cheio de dúvidas e inseguranças?

As dúvidas e inseguranças seguem comigo, então não sei o que acaba com elas. Mas não necessariamente são coisas ruins. É preciso duvidar para garantir que estamos seguindo o nosso caminho.
Se esse for o caminho, acredito que o primeiro passo é estudar e se munir de referências. Buscar dentro e fora. Ir ao teatro, ver filmes, ler, ir ao circo, aos museus, ver apresentações na rua, procurar arte na internet…
O alimento primordial do artista, depois da água e da comida, deve ser a arte.

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