Patrick Congo

Edição: 39

Patrick Congo

Créditos

Patrick veste @almirfranca, @atelierbettogomes, @veja.br, @vansbrasil e @publichouserio.

Direção criativa: @casadorobim
Fotografia: @marcio_rangel
Styling: @ronaldorobim
Beleza: @makegivianna
Design digital: @theocporto
Assistente de styling: @obrunocoutinho_
Locação: @oestudio179
Agradecimento: @twogheterbr, @elisanunes_.

#patrickcongo #capa #julho #ator #moda

Entrevista...

1 – Você começou no teatro aos 12 anos e, recentemente, deixou um emprego na farmácia para atuar na Netflix. Qual foi o momento decisivo dessa transição para a carreira?”

Esse momento foi de extrema importância para minha vida e pra minha carreira! Apostei todas as minhas fichas na arte, no intuito de se não acontecesse, eu não iria mais tentar! Já estava exausto de chegar perto de um personagem e não ser escolhido!

2 – Como foi o processo de estudar e retratar a figura de um sobrevivente da chacina? Você teve contato com algum sobrevivente? Se sim, o que eles trouxeram ao seu trabalho?

Estudar sobre a história da chacina me trouxe um dever de manifesto! De evidenciar que infelizmente a história tem se repetido em algumas comunidades, Vigário Geral, Jacarezinho e Complexo de favelas da Maré! O estado continua acabando com sonhos!

3 – Sua cena de beijo gay com Bruno Gagliasso causou grande repercussão. Como você lida com o fato de esse momento chamar mais atenção do que o massacre retratado na série?

Confesso que não achei que essa cena teria essa repercussão toda, a vulnerabilidade das crianças eram bem maiores, e ainda tem a questão que o personagem do Bruno era uma figura que se aproveitava e abusava do 7, infelizmente um beijo choca mais do que a fome!

4 – Você comentou que a vivência com Sete trouxe uma reconexão com a espiritualidade e as religiões de matriz africana. Poderia contar mais sobre isso?

Eu sempre fui evangélico desde de criança. A ligação com o personagem me abriu um outro viés para espiritualidade e despertou muita curiosidade pelo axé. Queria entender mais sobre espiritualidade, e acabei frequentando, e vendo que o que eu pensava era totalmente uma visão distorcida e até preconceituosa. Me encantei quando visitei pela primeira vez e fui indo outras vezes. Me senti muito bem lá, hoje eu acredito e tenho fé nos orixás e em Deus. Vi que é possível conciliar as religiões para seguir forte e protegido!

5 – Você ajudou a fundar o Coletivo AfroMaré, ensinando teatro na favela. Como isso se conecta com sua trajetória e missão enquanto artista?

Sou um dos idealizadores do coletivo afroMaré! E a iniciativa no início era apenas repassar o que eu e o Elme Peres aprendemos no projeto Entre lugares Maré!
Aos poucos fomos vendo que o coletivo era muito além do que achávamos e hoje já ganhamos 3 editais e com a peça Dos nossos para os nossos! Que é realmente isso, reconhecer quem veio antes e repassar o bastão para os próximos! Mostrar que favelado também pode chegar e conquistar o que sonha e acredita

6 – Você costuma citar o Oscar como meta. Que tipo de histórias ou personagens gostaria de representar para chegar até lá?

Eu sempre sonhei com esse prêmio e fui entendendo que o Oscar é viver do que eu acredito, estar junto dos meus familiares e amigos, pessoas que eu amo! O Oscar pra mim passou de ser só um prêmio e sim minha conquista diária! Cada dia estou mais perto e mesmo que não seja meu, será de uma favela algum dia!

7 – Muitos moradores da Maré se emocionam ao ver seu trabalho na série. Que tipo de diálogo ou transformação você espera que sua carreira provoque nas periferias?

Assim que a série saiu eu fiz uma exibição na rua onde eu moro e algumas crianças disseram que queriam ser igual a mim! Pegaram um papel e pediram autógrafo! Rs… Foi muito mágico pra mim esse momento! Muitos dos jovens pensam em ser jogador de futebol! E ver crianças falarem que querem ser atores, me despertou o dever de continuar e trazer representatividade pra minha favela e as demais favelas do Rio de Janeiro!

8 – Você cresceu em uma comunidade. O que ela te ensinou sobre vida, coragem que nenhuma escola poderia ensinar?

A comunidade me ensinou que não posso dar mole e muito menos achar que o jogo já está ganho! Até hoje eu tenho várias referências famosas, mas as minhas maiores referências vem de pessoas da comunidade, me inspiro em muitos personagens daqui e acredito que esse é meu maior talento! Mostrar, que na favela tem pessoas de bem e que lutam por seus direitos e ideais!

9 – O que significa pra você ser uma ponte entre a favela e as telas da Netflix? Essa visibilidade muda algo no modo como a favela é vista (ou se vê)?

Acredito que muda sim a forma de ver para uma pessoa periférica! Mostrar que uma pessoa independente de onde mora ou de onde vem, pode continuar sonhando, e que sim, é possível viver do sonho!

10 – Você tem se tornado uma referência para jovens negros que sonham com a arte. Isso te assusta, inspira ou te impulsiona?

Isso me amadureceu bastante, até mesmo na minha postura! Me dá orgulho em saber que eu não venci sozinho, e que pra eu chegar na Netflix, foi por causa de várias pessoas que acreditaram em mim e não me deixaram desistir! E para além de vencer só por mim e sim vencer pelos meus e pela minha favela!

11 – Se você pudesse falar hoje com o Patrick criança, o que diria a ele sobre o que vem pela frente?

Eu diria para continuar acreditando! Mesmo com todas as adversidades, é possível. Diria também pra ser mais paciente.

12 – Deixa pra gente uma mensagem para jovens negros e periféricos que sonham em viver de arte!

Eu diria que não é fácil viver da arte no Brasil! Tenha vários planos A,B,C,D e etc. Antes de eu conseguir viver da arte, eu sempre trabalhei em vários trampos até conseguir me estabilizar! Muitas vezes parece que nunca vai chegar o momento em que a arte trará o retorno! Não busque ser famoso, a fama é só uma consequência do seu trabalho! Procure estabilidade e bem estar! Faça cursos e abra sua escuta e visão! Sua referência não está na TV, mas sim em pessoas que estão ao seu lado! Transforme isso em gás para continuar lutando e acreditando! A favela não venceu, mas estamos vencendo por ela!

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