Foto: Marcos Duarte (@marcospbduarte)
Design digital: @borealbso
Make: Pablo Félix (@pablo.mua)
Styling: Rafael Menezes (@menezesrafael)
Agenciamento: @ilanabrakarz
Editor-chefe: Ronaldo Robim (@ronaldorobim)
É uma sensação estranha e bonita ao mesmo tempo. Quando olho pra trás, vejo um menino cheio de sonhos, mergulhado num universo enorme sem saber direito onde isso ia dar. Cresci diante das câmeras, mas também atrás delas, como ser humano. Então hoje eu olho pra minha trajetória com carinho e respeito, inclusive pelas fases que talvez eu quisesse esquecer. Tudo me formou. Tudo me trouxe até aqui, mais consciente do que quero e do que não quero.
Sim. Foi um dos processos mais intensos e reveladores da minha vida. Dirigir e escrever um filme do zero me colocou diante de todas as minhas limitações e também das minhas potências. Eu queria provar pra mim mesmo que era capaz de contar uma história minha, com a minha voz. E foi ali que entendi que não existe uma divisão tão rígida entre o ator, o diretor e o músico. No fundo, é tudo sobre expressar o que me atravessa, só muda a linguagem.
Totalmente. A música é quase um fio condutor da minha existência. Tá no DNA da minha família, dos meus antepassados. Mesmo quando não estou produzindo algo novo, ela está presente em tudo o que faço. No ritmo das minhas falas, na cadência das cenas, na maneira como me conecto com o público.
Eu comecei a cantar por necessidade de expressão, e essa necessidade nunca foi embora. Só foi ganhando novas formas. Em breve, inclusive, pretendo lançar um EP com músicas minhas.
Aprendendo a desacelerar. Acho que o maior desafio da minha geração é lidar com a pressão constante de ser produtivo o tempo todo. Tenho tentado criar espaço pra mim, pra respirar, me desconectar, e me olhar com mais gentileza. Terapia, meditação, exercício físico e, principalmente, honestidade comigo mesmo têm sido fundamentais. A gente fala muito sobre sucesso, mas pouco sobre sustentar a própria sanidade dentro dele.
Diria: Calma. Você não precisa provar nada pra ninguém.
Naquela época eu tinha uma ânsia enorme de ser levado a sério, de me encaixar. Hoje entendo que a força está justamente em não se encaixar. Em ser curioso, contraditório, imperfeito. Diria pra ele continuar acreditando na intuição porque ela sempre soube o caminho, mesmo quando eu não tinha maturidade pra escutar.
Tudo. Acho que finalmente entendi que posso criar meus próprios caminhos. Antes, eu esperava chegar até mim. Agora, eu escrevo, produzo, dirijo, canto, atuo. Mas, acima de tudo, escolho. Essa virada tem a ver com liberdade. Com me autorizar a ser múltiplo sem culpa. Com confiar na minha visão artística e não me limitar a um formato. É um momento de reconstrução e expansão.
Com certeza. Interpretar Édouard Louis foi um divisor de águas pra mim. Foi um papel que exigiu tudo. Emocionalmente, fisicamente, artisticamente. Eu precisei me despir, literalmente e metaforicamente. Essa peça me confrontou com minhas próprias vulnerabilidades, mas também me deu uma força nova. Acho que é um trabalho que marca um antes e um depois na minha trajetória.
É poder enxergar o todo. O ator vive o momento; o diretor constrói o universo. Eu amo esse olhar mais amplo: pensar na luz, na cor, no silêncio, na respiração entre uma fala e outra. Dirigir é como compor uma sinfonia invisível.
E há algo profundamente libertador em dar forma ao que antes só existia dentro da cabeça.
Diria pra ele ter mais paciência. Pra confiar que o tempo vai fazer o trabalho dele. Eu queria tudo pra ontem, e a vida me ensinou que maturidade artística não se acelera. Diria também: “Não se apague ou se diminua pra caber.” O que te diferencia é exatamente o que te assusta. Proteja isso.
Um novo ciclo. Tenho um longa-metragem que escrevi com um parceiro, Ricardo Burgos, tenho alguns projetos de série autorais em desenvolvimento. Estou envolvido em dois projetos grandes bem bacanas para o cinema e televisão, em breve posso contar mais! Também estou desenvolvendo um projeto de viagem/documentário junto de alguns parceiros (incluindo meu pai, Ed Côrtes), e meu próximo EP está a caminho. Além disso, eu sigo fazendo meu solo “Invisível” no teatro, voltei recentemente de Brasília onde apresentei na Mostra Teatral de Brasília, e ano que vem devo voltar a estar em cartaz com “Eddy”.
Sinto que 2026 vai ser um ano de integração, de unir todas as minhas partes em uma mesma narrativa. Mais do que nunca, quero criar com verdade. Vai ser ano de colheita.